Em busca do chocolate perdido

Fui criança nos anos 80 e naquela década o chocolate tinha uma nota sublime: de infância.

Cresci uma chocólatra nostálgica, sempre em busca daquele paladar perdido. Sou tão saudosa daqueles tempos, que até coleciono, secretamente, embalagens de chocolates antigos.

Tudo começou numa tarde de sol, sem qualquer previsão de chuva, quando descobri meia dúzia de guarda-chuvas de chocolate – lembra dele? numa banca de doces no ponto de ônibus. A polícia passou recolhendo tudo e por pouco não me leva junto. A boa notícia é que deu tempo de colocar meu achado na bolsa e minha ficha continua limpa. Continuar lendo “Em busca do chocolate perdido”

Do cacau ao brigadeiro

Para garantir a qualidade do doce que amamos, processamos nossas próprias amêndoas de cacau para fazer o chocolate que vai para a panela

Desde que abri a primeira loja do país especializada em brigadeiro, há quase dez anos, tenho defendido que o que define a qualidade do brigadeiro é o chocolate que vai na receita. Convencida disso, sempre botei na panela as melhores barras de chocolate as quais tinha acesso – aquelas que a maioria das pessoas não ousaria aproximar do fogão. Continuar lendo “Do cacau ao brigadeiro”

Gente como a gente

Organizando os livros na estante encontrei três leituras que me inspiraram a empreender.

Não tenho formação em negócios e confesso que pouco consegui entender dos livros de administração que me propus a ler antes de abrir uma loja de brigadeiro. Passei a fugir de qualquer literatura do gênero,  até ganhar de uma amiga o divertido e despretensioso “Se você não tem bunda, use laços no cabelo” (Ed. Planeta). Continuar lendo “Gente como a gente”

Amanhã vai ser outro dia

Por que brigadeiro fresco é mais gostoso…

Quando criança, o que eu mais gostava dos aniversários era o dia seguinte, quando podia comer, sozinha, todos os brigadeiros que sobravam da festa. Como a cozinha de casa era pequena, alguém sempre botava a bandeja de doces em cima da geladeira e lá ela ficava, completamente esquecida. Só eu sabia do seu paradeiro, pois, sorrateiramente, ia seguindo a trilha da bandeja até que ela estivesse em lugar seguro. Continuar lendo “Amanhã vai ser outro dia”

A ceia e o cometa Halley

Se o melhor da festa é esperar por ela, o melhor da ceia de Natal em casa era esperar pelo pavê de doce de leite que a minha mãe fazia especialmente para a data

Chega a me dar um rubor de felicidade quando alguém, na fila do pão, ou na barraca das frutas da feira de domingo, diz, lá pra setembro, que o ano praticamente acabou. A memória que chega, levemente apagada pelo tempo, é a da minha mãe na cozinha, emoldurada por azulejos com desenho de maçã, misturando na batedeira planetária um punhado de manteiga fresca, gemas, açúcar e creme de leite para o recheio da sobremesa mais esperada da ceia de natal: o pavê de doce leite. Continuar lendo “A ceia e o cometa Halley”

Natal brasileiro

Uma receita de brigadeiro de castanha-do-pará e a resolução de ressignificar a tradição do Natal abaixo da linha do Equador

Quando eu era criança, sempre achava que ia nevar no Natal, como nos desenhos do Snoopy e do Tom e Jerry. Mas o fato é que nessa época nunca presenciei nada parecido na janela de casa, nem chuva de granizo. Fazia é um calor sufocante de mais 40 graus na nossa ceia, passada no interior de São Paulo. Ar condicionado nos anos 80 era luxo para poucos, a solução possível era espalhar uma porção de ventiladores pela casa (cada convidado trazia um), disfarçados com as mais invernosas decorações natalinas. O que se via à mesa eram maquiagens derretidas, peles brilhantes de suor, comidas perdendo sua forma. Continuar lendo “Natal brasileiro”

Pão do Toni recheado com o doce preferido do brigadeiro?

Panetone e brigadeiro muito em comum. Os dois se popularizaram no Brasil na mesma época, foram descobertos por acaso, por homens magros – e foram batizados em homenagem aos seus criadores acidentais

A lenda em torno da criação do panetone diz que o assistente de padeiro Toni, após ter trabalhado horas a fio na véspera de Natal, precisava assar mais uma fornada de pães e fazer uma torta para seu chefe. De tão cansado que estava, confundiu-se e colocou as uvas passas da torta na massa de pão. Desesperado, tentou salvar a receita, acrescentando um punhado frutas cristalizadas, manteiga, ovos e os demais ingredientes do recheio que seriam usados na torta e assou a mistura. Continuar lendo “Pão do Toni recheado com o doce preferido do brigadeiro?”