Tipo de criação que vem do coração

Em casa, quando a gente era pequeno, não tinha muitas coisas, mas tinha
afeto e chocolate. Morávamos numa casinha de vila, em Pinheiros, onde
minha mãe recebia as pessoas queridas com boas palavras e generosos
bombons. Digo generosos não para enfeitar a frase, mas porque ela meu pai
não comiam doces, seguiam uma tal dieta macrobiótica, que foi moda nos
1970, que restringia quase tudo que não fosse arroz integral e bala de
gelatina. Apesar da escolha individual que fizeram, eles tiveram a
sensibilidade de não negar o papel agregador do açúcar, e do chocolate,
sempre abastecendo a bomboniere da sala com uma porção de doçuras.
Meu irmão e eu esperávamos ansiosamente pelas visitas. Como era festivo
comer um bombom depois do outro, sem ninguém nos controlando.
Segundos depois estavam todos conversando animadamente, tomados de
uma alegria genuína e contagiante. Pensar que aquela felicidade repentina
era motivada por um simples pedaço de chocolate me fez querer aprender
a fazer brigadeiro, depois chocolate, e dedicar minha vida aos dois.
Só agora me dou conta da importância que aquela bomboniere teve na minha história. Ela foi um portal para um mundo doce e feliz. Acredito que
como eu, muita gente tenha memórias afetivas bem guardadas nesse
mágico pote de cristal. Elas estavam em todo lugar que valia a pena a gente
estar, reafirmando, em cada doçura que continham, que éramos gostados.
Foi essa lembrança que me inspirou a criar uma bomboniere recheada de
bombons de brigadeiro para o dia das mães. Porque também quero ser essa
mãe, a quem nunca falte afeto nem chocolate.

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Comer junto a família e amigos pode nos tornar mais felizes

Sentar-se a mesa com pessoas próximas trazem benefícios emocionais e físicos

Hoje em dia o ato de sentar junto a família e amigos para apreciar uma refeição ou até mesmo um lanche da tarde é privilégio de poucos. Vivemos a era da otimização e o comer entrou nessa onda. Para que sentar e “perder tempo” se podemos levar para viagem? Continuar lendo “Comer junto a família e amigos pode nos tornar mais felizes”

Chocolate também é amigo da saúde

Composto por poderosos antioxidantes que previnem doenças crônicas e o envelhecimento precoce

Difícil começar esse texto sem cantarolar a música do Tim Maia: “Chocolate! Chocolate! Chocolate! Eu só quero chocolate, só quero chocolate”. Conhecido e desejado mundialmente, poucos são aqueles que resistem a essa tentação. Mas será que devemos resistir a ele ou ceder aos seus encantos? Continuar lendo “Chocolate também é amigo da saúde”

Cacau brasileiro é ruim. Só que não…

Com seleção extremamente cuidadosa, produtores tem colocado o país no mapa do cacau de qualidade

Há quem jure de pé junto que os melhores chocolates do mundo estão na França, na Bélgica e na Suíça. Esses países da Europa têm forte tradição em chocolate porque foram pioneiros no processamento da iguaria e se dedicaram a fazer chocolate artesanal, com cacau selecionado e manteiga de cacau pura, sem adição de conservantes e aditivos químicos. Continuar lendo “Cacau brasileiro é ruim. Só que não…”

Uma xícara de generosidade

Sempre esperei ansiosa pela festa junina da vila, quando a dona Augusta preparava o seu delicioso chocolate quente

Eu já dormia com o pijama por baixo do uniforme, sinal de que logo chegaria uma das épocas mais frias e gostosas do ano: a temporada de festa junina na vila onde eu morava. Eram 16 casas, e cada vizinho ficava incumbido de preparar um prato típico. Minha mãe fazia a pamonha, que eu detestava, mas para salvar as crianças do tédio do milho doce, havia a dona Augusta, que preparava o chocolate quente mais generoso do mundo Continuar lendo “Uma xícara de generosidade”

O amor é doce

Em tempos de amores frágeis, nada mais relevante do que ajudar a formar um par. E desconfio que o chocolate tem esse poder.

Mariana ia sempre na loja às quartas-feiras à tarde, pedia um café curto, um brigadeiro de avelã e ficava ali no balcão, escondida atrás de um grande fone de ouvido, namorando a solidão. Renato costumava aparecer às sextas, sempre no finzinho da tarde, carregando uma mochila e um guarda-chuva, alheio ao mundo e ao próprio coração.  Fone de ouvido do mesmo modelo do dela,  sentava sempre na mesma cadeira e pedia também café curto e brigadeiro de avelã.  Se não me engano foi numa segunda-feira que da cozinha, avistei os dois, cada um num canto do balcão. Enrolei às pressas dois brigadeiros de avelã e usei o pretexto do doce para apresentar o casal. E não é que vingou? Estão morando juntos há 5 anos e adotaram uma vira-lata bege que batizaram de Avelã. Continuar lendo “O amor é doce”

Nada se copia, tudo se cria

Quando criar nada mais é do que prestar atenção à poesia do que acontece à nossa volta

Fazer brigadeiro ainda era um hobby.  Acordei mais cedo naquele sábado para preparar sem pressa o doce que seria o presente de aniversário de um colega da redação. Fiz uma receita tradicional, usando uma lata de leite condensado, uma colher das de sopa de manteiga e um ingrediente que até então ninguém tinha coragem de botar na panela – uma barra de chocolate ao leite de boa qualidade. Reservei um pouco desse mesmo chocolate para passar nos brigadeiros, fiz bolinhas do mesmo tamanho e coloquei em forminhas duplas, para não abrir e ficar com cara de fim de festa. Continuar lendo “Nada se copia, tudo se cria”