Vote no brigadeiro que é bonito e solteiro

O brigadeiro, o doce, se popularizou na década de 1940 durante a campanha do brigadeiro Eduardo Gomes às eleições presidenciais

Nunca gostei de política, mas se tivesse vivido na década de 1940, teria votado feliz em um brigadeiro de nome Eduardo Gomes. Curiosamente, foi esse homem taciturno, com jeito de que nunca consolou uma dor de amor numa panela de brigadeiro quente, que condecorou com a distinta patente de brigadeiro um docinho de chocolate até então desconhecido, que perdia em popularidade até para o renegado olho de sogra.

A história, ouvi quando pequena, contada com sotaque mineiro pela minha avó Ignês, que era doceira. “O brigadeiro, minha filha, queria ser presidente do Brasil.” No meu juízo de cinco pra seis anos, aquilo fazia todo sentido, afinal brigadeiro era meu doce favorito, nada mais justo do que ocupar o cargo mais importante do mundo. Só depois, já crescida, é que fui saber que brigadeiro, antes de ser doce, era uma medalha no peito de um homem que pilota aviões do governo, e que presidente do Brasil não era o cargo mais importante do mundo.

Alheia às minhas divagações de infância, ela contava orgulhosa a saga do brigadeiro, o doce, enquanto dava conta de tachos cheios de doce de leite, que borbulhavam feito lava sobre a lenha do fogão. “Todos queriam estar nas festas de campanha de Eduardo Gomes porque ali circulava um docinho misterioso, feito de chocolate e coberto por uma fininha camada de açúcar. Nome de batismo o doce não tinha; por isso, acabou virando brigadeiro, em homenagem ao político.”

Ouvi tantas vezes a história, que passei a imaginar o brigadeiro como um homem realmente belo. Mais velha, pelo Google, descobri que Eduardo Gomes parecia com meu tio Geraldo: franzino, usava óculos e tinha bem menos cabelos do que na minha imaginação. Mesmo assim, consta que fez um sucesso retumbante entre as mulheres. Não era para menos, seu slogan de campanha mais parecia anúncio de agência de relacionamento: “Vote no Brigadeiro, que é bonito e é solteiro”.

Bonito, solteiro… não importa. O homem praticamente inventou o brigadeiro. Quer melhor plano de governo para fazer felizes as moças do Brasil? O problema é que faltou organização das eleitoras chocólatras e o pobre perdeu feio as eleições. Mas nos deixou de consolo o brigadeiro. Político bom assim não se vê mais, não é mesmo, vó?

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