Pão do Toni recheado com o doce preferido do brigadeiro?

Panetone e brigadeiro muito em comum. Os dois se popularizaram no Brasil na mesma época, foram descobertos por acaso, por homens magros – e foram batizados em homenagem aos seus criadores acidentais

A lenda em torno da criação do panetone diz que o assistente de padeiro Toni, após ter trabalhado horas a fio na véspera de Natal, precisava assar mais uma fornada de pães e fazer uma torta para seu chefe. De tão cansado que estava, confundiu-se e colocou as uvas passas da torta na massa de pão. Desesperado, tentou salvar a receita, acrescentando um punhado frutas cristalizadas, manteiga, ovos e os demais ingredientes do recheio que seriam usados na torta e assou a mistura. O que o assistente não esperava era que sua criação fizesse tanto sucesso na ceia de Natal de seu chefe, que decidiu lançar o bolo em sua padaria com o nome “pane di Toni” (“pão do Toni”, na tradução do italiano). Com a corruptela dos anos, o bolo passou a ser chamado de panetone.

Os imigrantes italianos provavelmente trouxeram a receita na mala, mas o bolo se popularizou mesmo por aqui no final da década de 40, quando o italiano Carlo Bauducco começou a vender o produto no Brasil. Coincidentemente, foi justamente nessa década que o brigadeiro caiu no gosto popular. O personagem que deu vida a ele foi um oficial da aeronáutica, o brigadeiro Eduardo Gomes, que pelo que consta nunca nem chegou perto de uma panela. Ocorre que ele disputou as eleições presidenciais em 1945 e sua campanha tinha como foco as eleitoras mulheres, que haviam recém-adquirido o direito ao voto. E para ganhar o coração das moçoilas nada mais estratégico do servir, nas festas do partido, um docinho de chocolate que fizesse par com o seu galanteador slogan de campanha: “vote no brigadeiro que é bonito e solteiro”.

Até então desconhecida, a combinação de leite condensado, chocolate e manteiga despertou paixões e passou a ser chamada de “o doce preferido do brigadeiro”. Eduardo Gomes não ganhou as eleições e a frase perdeu seu sentido original, sendo encurtada até sobrar só brigadeiro, termo pelo qual o doce ficou definitivamente conhecido.

Se a origem dessas duas delícias – panetone e brigadeiro – são lendas não se sabe, mas é fato que eles vieram para ficar. E no Brasil, eles se encontraram, e seguem juntos, numa receita que já se tornou uma tradição do nosso Natal: “o pão do Toni recheado com o doce preferido do Brigadeiro”, ou simplesmente panetone de brigadeiro.

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