Natal brasileiro

Uma receita de brigadeiro de castanha-do-pará e a resolução de ressignificar a tradição do Natal abaixo da linha do Equador

Quando eu era criança, sempre achava que ia nevar no Natal, como nos desenhos do Snoopy e do Tom e Jerry. Mas o fato é que nessa época nunca presenciei nada parecido na janela de casa, nem chuva de granizo. Fazia é um calor sufocante de mais 40 graus na nossa ceia, passada no interior de São Paulo. Ar condicionado nos anos 80 era luxo para poucos, a solução possível era espalhar uma porção de ventiladores pela casa (cada convidado trazia um), disfarçados com as mais invernosas decorações natalinas. O que se via à mesa eram maquiagens derretidas, peles brilhantes de suor, comidas perdendo sua forma.

Por mais que se tentasse imitar um modelo anglo-saxão de festividade, nada lembrava aquele cenário aconchegante montado do outro lado do mundo. Sempre alguém passava mal de calor ou congestão – ou os dois –  e ia parar no hospital – até o papai Noel. Eu devia ter quatro para cinco anos, quando o tal bom velhinho teve uma desidratação crônica no momento em que ia distribuir nossos presentes. Tiveram que remover às pressas as suas pesadas vestes, revelando, para completa e irreversível frustração de nós, crédulas crianças, o tio mais chato e mal-humorado da família.

Foram memórias como essa que trouxeram simplicidade para o meu Natal. Lá em casa nessa época não tem nada de veludo vermelho, a árvore é feita de galhos secos espetadas num vaso, e decorada com um festão de luzinhas amarelas, à moda das festas populares do interior do Nordeste. O presépio é de pano, costurado à mão. As roupas são leves e o cardápio é de verão.  É tudo tão diferente do que se vê na televisão e na decoração dos shoppings que meu filho, de 3 anos, me perguntou entristecido por que a nossa família não comemorava o Natal. Respondi que gente comemorava sim, mas do nosso jeito, que é diferente da tradição seguida no hemisfério norte, onde é inverno nesta época e os hábitos são de clima frio. A conversa terminou na cozinha, onde preparamos e comemos juntos um brigadeiro gelado de castanha-do-pará, uma opção de sobremesa bem brasileira para servir na ceia. E acredito que assim, nos tornando o que somos – no vestuário, na decoração, e na mesa, vamos ressignicando, ano após ano a magia do Natal por aqui.

Brigadeiro de castanha-do-pará
Rende: 30 brigadeiros

Ingredientes da massa
1 lata de leite condensado
1 colher (sopa) de manteiga extra sem sal
100 gramas de castanha-do-pará sem casca
50 gramas de chocolate branco (100% manteiga de cacau)

Para confeitar
100 gramas de castanha-do-pará picadas 

Modo de fazer
Bata a castanha-do-pará da massa no liquidificador e reserve. Derreta o chocolate branco em banho-maria ou no microondas e também reserve. Numa panela, coloque o leite condensado e a manteiga e aqueça por 2 minutos em fogo baixo. Junte a castanha-do-pará triturada e continue mexendo até desgrudar do fundo da panela (aproximadamente 16 minutos). Adicione o chocolate branco, misture bem, apague o fogo e transfira a massa de brigadeiro para um recipiente untado com manteiga. Com uma faca, pique finamente a castanha do Pará e reserve. Quando o brigadeiro estiver frio, unte as mãos com manteiga e faça bolinhas de 2,5 cm de diâmetro. Confeite com os pedacinhos de castanha-do-pará e coloque em forminhas de papel plissado. Arrume na sua bandeja favorita e leve à geladeira até o momento de servir.

www.mariabrigadeiro.com.br

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