Ovo no brigadeiro?

Os primeiros brigadeiros da história levavam uma ou mais gemas na receita, entenda aqui por que botaram ovo no nosso doce favorito

Você já deve ter ouvido dizer que a avó de alguém faz brigadeiro com gema de ovo e que esse seria o segredo bem guardado do doce mais amado do Brasil. Minha avó acreditava tanto nisso que botava logo três gemas em uma única receita brigadeiro – haja colesterol.  E elas não podiam ser de outro lugar, senão do seu próprio galinheiro, ou seja, genuinamente caipiras.

Embora pareça uma invencionice duvidosa, a prática de acrescentar gemas ao brigadeiro guarda certa sabedoria. Isso porque a gema contém gordura, que é emulsificante e garante aquela cremosidade gostosa dos cremes e massas benfeitos. Ela tem ainda outra função: é coagulante, ou seja, dá firmeza à massa e contribui para dar o ponto mais rápido.

O ovo foi parar na panela do brigadeiro por influência portuguesa – com certeza –  cuja doçaria inexistiria não fosse pela contribuição das solidárias galinhas. Embora tenha deixado alguns adeptos – a sua avó e a minha, por exemplo, a subversão lusitana não sobreviveu à história. Nossa independência culinária  mostrou que um punhado de manteiga cumpria a mesma função das gemas, sem deixar aquele retrogosto de ovo tão pouco apreciado deste lado do Atlântico. E o final feliz: Portugal não conseguiu colonizar o doce mais típico do Brasil. E-ba!

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