Nada se copia, tudo se cria

Quando criar nada mais é do que prestar atenção à poesia do que acontece à nossa volta

Fazer brigadeiro ainda era um hobby.  Acordei mais cedo naquele sábado para preparar sem pressa o doce que seria o presente de aniversário de um colega da redação. Fiz uma receita tradicional, usando uma lata de leite condensado, uma colher das de sopa de manteiga e um ingrediente que até então ninguém tinha coragem de botar na panela – uma barra de chocolate ao leite de boa qualidade. Reservei um pouco desse mesmo chocolate para passar nos brigadeiros, fiz bolinhas do mesmo tamanho e coloquei em forminhas duplas, para não abrir e ficar com cara de fim de festa.

A receita rendeu quase 30 brigadeiros – 25, na verdade, porque eu comi 5 enquanto enrolava. Mesmo com essa baixa, a quantidade era suficiente para preencher – ainda que espassadinho –  uma das minhas bandejas antigas, que seria a embalagem do presente. Só que na hora de escolher a bandeja, me dei conta de que as estampas eram todas muito femininas e que talvez não pegasse bem presentear um homem barbudo de quase dois metros de altura com uma bandeja de bolinha da Hello Kitty. Estava quase na hora da festa e precisava encontrar uma solução.

Abri o armário e avistei uma pilha de Tupperware. Puxa, seria bem prático para transportar os doces, pensei, mas na mesma hora me veio a imagem da tia Lilica e seu insaciável Tupperware, carregando, tudo junto, coxinha, olho de sogra e bolinha de queijo das festas de família. Desisti da ideia.

Desanimada, abaixei a cabeça e me deparei com uma marmita de metal que usava para guardar temperos indianos. Por que não? Tirei as especiarias de dentro, coloquei os brigadeiros, e eles couberam direitinho, o que interpretei como um aval do universo. Amarrei um pano de prato branco e lá estava a embalagem inusitada que eu precisava para chamar atenção para os meus brigadeiros.

Fui na festa feliz e voltei com um bocado de elogios. Anos mais tarde, abri a Maria Brigadeiro e adivinha quais foram as nossas primeiras embalagens? As bandejas e as marmitas. Ah, e ao colocar os brigadeiros na marmita de temperos naquele dia, eles absorveram os aromas da canela, do gengibre, do cardamomo, e inspiraram a criação do nosso brigadeiro de especiarias indianas. Mas isso é pauta para outro post.

www.mariabrigadeiro.com.br

 

3 comentários em “Nada se copia, tudo se cria

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