Tipo de criação que vem do coração

Em casa, quando a gente era pequeno, não tinha muitas coisas, mas tinha
afeto e chocolate. Morávamos numa casinha de vila, em Pinheiros, onde
minha mãe recebia as pessoas queridas com boas palavras e generosos
bombons. Digo generosos não para enfeitar a frase, mas porque ela meu pai
não comiam doces, seguiam uma tal dieta macrobiótica, que foi moda nos
1970, que restringia quase tudo que não fosse arroz integral e bala de
gelatina. Apesar da escolha individual que fizeram, eles tiveram a
sensibilidade de não negar o papel agregador do açúcar, e do chocolate,
sempre abastecendo a bomboniere da sala com uma porção de doçuras.
Meu irmão e eu esperávamos ansiosamente pelas visitas. Como era festivo
comer um bombom depois do outro, sem ninguém nos controlando.
Segundos depois estavam todos conversando animadamente, tomados de
uma alegria genuína e contagiante. Pensar que aquela felicidade repentina
era motivada por um simples pedaço de chocolate me fez querer aprender
a fazer brigadeiro, depois chocolate, e dedicar minha vida aos dois.
Só agora me dou conta da importância que aquela bomboniere teve na minha história. Ela foi um portal para um mundo doce e feliz. Acredito que
como eu, muita gente tenha memórias afetivas bem guardadas nesse
mágico pote de cristal. Elas estavam em todo lugar que valia a pena a gente
estar, reafirmando, em cada doçura que continham, que éramos gostados.
Foi essa lembrança que me inspirou a criar uma bomboniere recheada de
bombons de brigadeiro para o dia das mães. Porque também quero ser essa
mãe, a quem nunca falte afeto nem chocolate.

www.mariabrigadeiro.com.br

2 comentários em “Tipo de criação que vem do coração

  1. A sua história da bomboniere me tocou e também me fez lembrar que eu residia numa chácara, onde havia muitos pés de frutas, tais como: ameixas amarelinhas, pitanga, bananeiras, mangueiras com vários tipos de mangas, limoeiros e uma plantação de hortaliças e vegetais.
    Quando se aproximava o mês de maio e junho minha mãe já começava a fazer os doces de abóbora em quadradinhos em calda, o que me chamava a atenção era quando ela adicionava algumas colheradas de cal na água onde os pedaços da abóbora ficavam descanso… só não me lembro ao certo se eram 24 horas ou dias talvez…
    Mas quando aquele tacho começava a ferver, plainava no ar aquele aroma maravilhoso de doce!
    As batatas doces também se transformavam em doce de colher bem macio e as espigas de milho eram debulhadas e os grãos ficavam tomando Sol sobre panos, para depois somente depois de bem secos, serem guardados em potes com tampa. Esses seriam utilizados para o feitio de pipocas doces e salgadas para as festas juninas! ❤
    A família toda era convidada, cada núcleo familiar levava um prato típico: bolo de fubá com erva doce, amendoins confeitados ou salgados, pinhão cozido, milhos para assar na fogueira… ahhh… a fogueira… era enorme! Um amontoado em forma de quadrado de 1 metro e 80 de altura, onde as toras de árvores velhas iniciavam a estrutura e ela queimava das 18:00 hs até a madrugada do dia seguinte!
    Nós, as crianças todas vestidas com trajes típicos e todos juntos dançávamos ao redor da fogueira!
    E ainda os mais velhos assavam batata doce na fogueira em 10 minutinhos!
    Saudades desses tempos que os meus filhos não tiveram, pois hoje em dia não pode-se mais acender fogueiras… nem soltar balões…
    Datas especiais tais como: Dia das Mães, Dia dos Namorados, Festa Junina, Aniversários e Natal sempre terão um doce para recordarmos de algo que aconteceu naquele dia!
    Mas Juliana, certamente o doce em si fez e faz parte de uma memória de infância que jamais nos esqueceremos… ❤ ❤ ❤

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