Do cacau ao brigadeiro

Para garantir a qualidade do doce que amamos, processamos nossas próprias amêndoas de cacau para fazer o chocolate que vai para a panela

Desde que abri a primeira loja do país especializada em brigadeiro, há quase dez anos, tenho defendido que o que define a qualidade do brigadeiro é o chocolate que vai na receita. Convencida disso, sempre botei na panela as melhores barras de chocolate as quais tinha acesso – aquelas que a maioria das pessoas não ousaria aproximar do fogão. Continuar lendo “Do cacau ao brigadeiro”

Gente como a gente

Organizando os livros na estante encontrei três leituras que me inspiraram a empreender.

Não tenho formação em negócios e confesso que pouco consegui entender dos livros de administração que me propus a ler antes de abrir uma loja de brigadeiro. Passei a fugir de qualquer literatura do gênero,  até ganhar de uma amiga o divertido e despretensioso “Se você não tem bunda, use laços no cabelo” (Ed. Planeta). Continuar lendo “Gente como a gente”

Amanhã vai ser outro dia

Por que brigadeiro fresco é mais gostoso…

Quando criança, o que eu mais gostava dos aniversários era o dia seguinte, quando podia comer, sozinha, todos os brigadeiros que sobravam da festa. Como a cozinha de casa era pequena, alguém sempre botava a bandeja de doces em cima da geladeira e lá ela ficava, completamente esquecida. Só eu sabia do seu paradeiro, pois, sorrateiramente, ia seguindo a trilha da bandeja até que ela estivesse em lugar seguro. Continuar lendo “Amanhã vai ser outro dia”

A ceia e o cometa Halley

Se o melhor da festa é esperar por ela, o melhor da ceia de Natal em casa era esperar pelo pavê de doce de leite que a minha mãe fazia especialmente para a data

Chega a me dar um rubor de felicidade quando alguém, na fila do pão, ou na barraca das frutas da feira de domingo, diz, lá pra setembro, que o ano praticamente acabou. A memória que chega, levemente apagada pelo tempo, é a da minha mãe na cozinha, emoldurada por azulejos com desenho de maçã, misturando na batedeira planetária um punhado de manteiga fresca, gemas, açúcar e creme de leite para o recheio da sobremesa mais esperada da ceia de natal: o pavê de doce leite. Continuar lendo “A ceia e o cometa Halley”

Natal brasileiro

Uma receita de brigadeiro de castanha-do-pará e a resolução de ressignificar a tradição do Natal abaixo da linha do Equador

Quando eu era criança, sempre achava que ia nevar no Natal, como nos desenhos do Snoopy e do Tom e Jerry. Mas o fato é que nessa época nunca presenciei nada parecido na janela de casa, nem chuva de granizo. Fazia é um calor sufocante de mais 40 graus na nossa ceia, passada no interior de São Paulo. Ar condicionado nos anos 80 era luxo para poucos, a solução possível era espalhar uma porção de ventiladores pela casa (cada convidado trazia um), disfarçados com as mais invernosas decorações natalinas. O que se via à mesa eram maquiagens derretidas, peles brilhantes de suor, comidas perdendo sua forma. Continuar lendo “Natal brasileiro”

Pão do Toni recheado com o doce preferido do brigadeiro?

Panetone e brigadeiro muito em comum. Os dois se popularizaram no Brasil na mesma época, foram descobertos por acaso, por homens magros – e foram batizados em homenagem aos seus criadores acidentais

A lenda em torno da criação do panetone diz que o assistente de padeiro Toni, após ter trabalhado horas a fio na véspera de Natal, precisava assar mais uma fornada de pães e fazer uma torta para seu chefe. De tão cansado que estava, confundiu-se e colocou as uvas passas da torta na massa de pão. Desesperado, tentou salvar a receita, acrescentando um punhado frutas cristalizadas, manteiga, ovos e os demais ingredientes do recheio que seriam usados na torta e assou a mistura. Continuar lendo “Pão do Toni recheado com o doce preferido do brigadeiro?”

Eu só quero chocolate

Não adianta vir com granulado industrial, é chocolate puro que a gente quer comer no brigadeiro

Embora todos nós tenhamos dele boas lembranças de infância, como sendo o melhor amigo do brigadeiro, é preciso dizer, agora que já somos adultos e fazemos terapia, que chocolate granulado não é chocolate, é um confeito industrial sabor chocolate. Seu processo de produção é até semelhante ao da fabricação de chocolate, mas os ingredientes são notoriamente inferiores. Enquanto chocolate puro leva sólidos de cacau (que é a amêndoa do cacau torrada e quebrada) e manteiga de cacau, o granulado convencional é feito com cacau em pó (que é um subproduto da amêndoa), gordura menos nobre e saudável e bastante açúcar. Continuar lendo “Eu só quero chocolate”

Arsenal do brigadeiro – itens que fazem a diferença

Veja quais utensílios e equipamentos não podem faltar no preparo de um bom brigadeiro.

A panela

Panela velha, tipo aquela de teflon que foi forçosamente aposentada na casa de praia, não faz brigadeiro bom. Aquela outra, de inox, carcomidinha, que sua mãe tem dó de jogar fora porque é de inox, tampouco é a mais indicada. Se a ideia é ter o melhor brigadeiro, escolha uma panela à altura: pesada, com fundo grosso, lustrosa… Continuar lendo “Arsenal do brigadeiro – itens que fazem a diferença”

Vote no brigadeiro que é bonito e solteiro

O brigadeiro, o doce, se popularizou na década de 1940 durante a campanha do brigadeiro Eduardo Gomes às eleições presidenciais

Nunca gostei de política, mas se tivesse vivido na década de 1940, teria votado feliz em um brigadeiro de nome Eduardo Gomes. Curiosamente, foi esse homem taciturno, com jeito de que nunca consolou uma dor de amor numa panela de brigadeiro quente, que condecorou com a distinta patente de brigadeiro um docinho de chocolate até então desconhecido, que perdia em popularidade até para o renegado olho de sogra. Continuar lendo “Vote no brigadeiro que é bonito e solteiro”

A feira mais gostosa do mundo

Sim, é possível provar os melhores chocolates do mundo de uma só vez.  Imagine entrar em um centro de convenções do tamanho do Anhembi – tá essa é a parte chata – coalhada de estandes – agora sim – com degustações gratuitas dos mais diversos chocolates do planeta. Não, não é um sonho, é o Salon du Chocolat, a maior e mais calórica feira do setor, que acontece todos os anos em Paris, na França. A prova documental de que esse lugar existe fora dos meus delírios chocólatras está registrada na memória da balança lá de casa. Continuar lendo “A feira mais gostosa do mundo”