A vida é curta, pra se contentar com gelatina colorida

Brigadeiro em casa não era sobremesa, tive que usar a imaginação para transformá-lo em uma

Sempre me incomodou o fato de brigadeiro não ser sobremesa e eu só poder comer meu doce favorito em festas de aniversário. A solução foi inventar formas criativas de servi-lo, para convencer meus pais que ele podia ser mais elegante que a gelatina colorida do verso da lata de leite condensado, que reinava soberana na geladeira de casa. Continuar lendo “A vida é curta, pra se contentar com gelatina colorida”

Longa vida ao leite condensado

O brigadeiro é mesmo um doce de sorte. Ele só existe graças ao leite condensado, que virou ingrediente da culinária por obra do acaso.

Acredite, antes de se tornar essa guloseima irresistível que é, o leite condensado era alimento sério: foi leite longa vida – o primeiro da história. Era um leite concentrado já adoçado (para ser diluído em água), criado para suprir a escassez de leite fresco durante alguns períodos da história. Inventado na metade do século XIX, a doce invenção tinha a missão de tornar o leite menos perecível, armazenável. Continuar lendo “Longa vida ao leite condensado”

Em busca do chocolate perdido

Fui criança nos anos 80 e naquela década o chocolate tinha uma nota sublime: de infância.

Cresci uma chocólatra nostálgica, sempre em busca daquele paladar perdido. Sou tão saudosa daqueles tempos, que até coleciono, secretamente, embalagens de chocolates antigos.

Tudo começou numa tarde de sol, sem qualquer previsão de chuva, quando descobri meia dúzia de guarda-chuvas de chocolate – lembra dele? numa banca de doces no ponto de ônibus. A polícia passou recolhendo tudo e por pouco não me leva junto. A boa notícia é que deu tempo de colocar meu achado na bolsa e minha ficha continua limpa. Continuar lendo “Em busca do chocolate perdido”

Do cacau ao brigadeiro

Para garantir a qualidade do doce que amamos, processamos nossas próprias amêndoas de cacau para fazer o chocolate que vai para a panela

Desde que abri a primeira loja do país especializada em brigadeiro, há quase dez anos, tenho defendido que o que define a qualidade do brigadeiro é o chocolate que vai na receita. Convencida disso, sempre botei na panela as melhores barras de chocolate as quais tinha acesso – aquelas que a maioria das pessoas não ousaria aproximar do fogão. Continuar lendo “Do cacau ao brigadeiro”

Gente como a gente

Organizando os livros na estante encontrei três leituras que me inspiraram a empreender.

Não tenho formação em negócios e confesso que pouco consegui entender dos livros de administração que me propus a ler antes de abrir uma loja de brigadeiro. Passei a fugir de qualquer literatura do gênero,  até ganhar de uma amiga o divertido e despretensioso “Se você não tem bunda, use laços no cabelo” (Ed. Planeta). Continuar lendo “Gente como a gente”

Amanhã vai ser outro dia

Por que brigadeiro fresco é mais gostoso…

Quando criança, o que eu mais gostava dos aniversários era o dia seguinte, quando podia comer, sozinha, todos os brigadeiros que sobravam da festa. Como a cozinha de casa era pequena, alguém sempre botava a bandeja de doces em cima da geladeira e lá ela ficava, completamente esquecida. Só eu sabia do seu paradeiro, pois, sorrateiramente, ia seguindo a trilha da bandeja até que ela estivesse em lugar seguro. Continuar lendo “Amanhã vai ser outro dia”

A ceia e o cometa Halley

Se o melhor da festa é esperar por ela, o melhor da ceia de Natal em casa era esperar pelo pavê de doce de leite que a minha mãe fazia especialmente para a data

Chega a me dar um rubor de felicidade quando alguém, na fila do pão, ou na barraca das frutas da feira de domingo, diz, lá pra setembro, que o ano praticamente acabou. A memória que chega, levemente apagada pelo tempo, é a da minha mãe na cozinha, emoldurada por azulejos com desenho de maçã, misturando na batedeira planetária um punhado de manteiga fresca, gemas, açúcar e creme de leite para o recheio da sobremesa mais esperada da ceia de natal: o pavê de doce leite. Continuar lendo “A ceia e o cometa Halley”