Margarina não é manteiga

Por que o brigadeiro fica mais gostoso quando é feito com manteiga?

Embora a publicidade tente convencer do contrário, margarina não é manteiga. A margarina é um creme vegetal artificial, obtida industrialmente por meio da hidrogenação de óleos vegetais. Já a manteiga é a nata do leite, batida até se transformar numa emulsão cremosa. Qual das duas parece mais saborosa? Continuar lendo “Margarina não é manteiga”

A monja e a executiva …chocólatra

Como sobreviver num ashram, na TPM, sem uma única barra de chocolate?

Em muitos vilarejos de Bali não há água encanada e as mulheres descem diariamente morros muito íngrimes e voltam ladeira acima com grandes latões de água na cabeça para abastecer a casa, pois não existe água encanada. Continuar lendo “A monja e a executiva …chocólatra”

Gourmet é sinônimo de qualidade?

O termo francês, até então reservado a poucas preparações artesanais, caiu no gosto da indústria e passou a estampar o rótulo de tudo o que existe de mais caro na gondola do supermercado

O termo gourmet pegou. Virou sinônimo de qualidade – e preço alto. Esses dias, numa ida ao supermercado, vi de farofa a marmelada gourmet e achei por bem escrever sobre o assunto, já que sou apontada como umas das difusoras do termo, por meio do brigadeiro. Quando dei o sobrenome gourmet para o brigadeiro não quis, absolutamente, elitizar o doce mais popular do Brasil. Minha intenção era chamar a atenção das pessoas para um novo brigadeiro, feito com chocolates puros e finalizado na hora do consumo de forma a preservar suas características e frescor. No meu entendimento gourmet era igual a qualidade e respeito pelo doce. Continuar lendo “Gourmet é sinônimo de qualidade?”

E quando o brigadeiro não dá certo?

Se o seu brigadeiro deu errado, não se desespere. Talvez seja possível salvá-lo. Saiba aqui como prestar os primeiros – e últimos – socorros.

Às vezes, a receita desanda. Acredite, não é só na sua cozinha. Já joguei tanto brigadeiro fora que o lixeiro deve achar que sou louca de pedra ou a pior cozinheira do bairro. Não sei de onde vem isso, mas as pessoas tem certeza que fazer brigadeiro e fritar ovo são as tarefas mais fáceis do mundo. Sendo assim, usam os dois pratos como exemplo de inabilidade na cozinha: “Ih, coitada aquela lá só sabe fazer brigadeiro e fritar ovo. Pois se ela souber fazer bem de verdade essas duas coisas, manda pra cá que eu contrato na hora. Brigadeiro e o ovo tem uma coisa em comum: Continuar lendo “E quando o brigadeiro não dá certo?”

Será que a gente combina?

Se o brigadeiro for feito com ingredientes puros e de qualidade ele vai bem até com aquele whisky escocês que a gente usa para decorar o bar

Se você acha que brigadeiro só faz par com Coca-Cola e Tubaína, dê a ele uma segunda chance na vida adulta. O sucesso ou fracasso de combinar doces e bebes, depende dos ingredientes que vão na panela. Se for um chocolate puro, com boa concentração de cacau e manteiga de qualidade, ele vai ficar menos doce e pode combinar com tudo, até mesmo com bebidas finas, como  vinhos de sobremesa, whisky e cervejas artesanais.  Embora muita gente complique, a regra da harmonização é simples e está ao alcance de qualquer paladar: o sabor do brigadeiro tem que melhorar o da bebida, e vice-versa. Continuar lendo “Será que a gente combina?”

Não durma no ponto

Você pode até usar o melhor chocolate do mundo e a receita da família real brasileira, mas se o brigadeiro não sair da panela na hora certa, ele perde o ponto e a graça

Cada um tem um jeito de preparar brigadeiro, a gente aqui na Maria Brigadeiro faz assim:

  1. Mexa o brigadeiro sem parar para garantir uma massa lisa e homogênea. Se você parar de mexer, irão se formar cristais de açúcar nas laterais da panela, que deixarão a massa com aquela indesejada consistência granulosa (O braço doerá um pouco, é verdade, o esforço, queimará algumas das calorias que esperam por você no final da receita…)

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Com açúcar, com afeto

“Veneno é arsênico e cianureto. Açúcar é alimento”.

Quase fui às lágrimas, quando ouvi uma nutricionista defendendo publicamente o ingrediente que nutriu gerações inteiras, incluindo a minha, e que nas últimas décadas tem sido tristemente demonizado por amargurados modismos nutricionais. Continuar lendo “Com açúcar, com afeto”

Mão na massa

Aprendi cedo que brigadeiro artesanal é feito por gente e não por máquina

Era o primeiro semestre de vida da Maria Brigadeiro. Eu estava feliz, fazendo 30 brigadeiros sabáticos por dia e comendo, sem pressa, meu miojo com queijo de saquinho, quando um primo rico, empresário de capa de Exame, foi coagido pela minha avó nonagenária a me dar conselhos de como progredir nos negócios. Continuar lendo “Mão na massa”

Ao pó voltaremos

A diferença entre o achocolatado, o chocolate em pó e o cacau em pó

Na gôndola do supermercado lá estão, lado a lado, três opções de pós de cacau: achocolatado, chocolate em pó e cacau em pó. Qual deles, afinal, é o mais indicado para preparar aquele tão desejado brigadeiro? Para responder a essa pergunta temos que primeiro entender a diferença entre eles, que não fica muito clara para o consumidor na hora da compra. Tanto o achocolatado quando o chocolate em pó são derivações do cacau em pó. Complicou? Explico. Continuar lendo “Ao pó voltaremos”

Chocolates de domingo

Não foi o nosso paladar que ficou arrogante, os chocolates de infância eram de fato muito melhores

Quando eu era criança, chocolate era um luxo reservado aos domingos. Lembro que sempre me escorria uma lágrima de felicidade (como aquela que brota ao tomar refrigerante) quando mordia o primeiro pedaço. Nunca ousava mastigá-lo, deixava ele derreter bem devagarinho na boca, na esperança de que nunca acabasse. O tempo passou, me transformei numa chocólatra finalmente emancipada, mas mesmo comendo chocolate todos os dias, nunca mais consegui sentir o arrebatamento dos velhos domingos. Por um bom tempo, acreditei que meu paladar tinha ficado arrogante, insensível aos prazeres simples da infância. E no esforço de recuperar aquela humildade gustativa perdida, me submetia a uma dieta compulsória de chocolates daquela época.  Francês e suiço, só em casos extremos, como TPM aguda e fim de namoro. Continuar lendo “Chocolates de domingo”